lunes. 26.02.2024

"Lá vi  uma Igreja viva e jovem"

Foi uma semana diferente, e que certamente ficará marcada para o resto da minha vida. Participar na Jornada Mundial da Juventude, com a sua santidade o papa Francisco é um desafio muito grande. Ao longo da semana somos “postos à prova” emocionalmente, psicologicamente e até fisicamente. 
Grupo de jovens de Ponte de Lima na JMJ de Lisboa.
Grupo de jovens de Ponte de Lima na JMJ de Lisboa.

Foi uma semana diferente, e que certamente ficará marcada para o resto da minha vida. Participar na Jornada Mundial da Juventude, com a sua santidade o papa Francisco é um desafio muito grande. Ao longo da semana somos “postos à prova” emocionalmente, psicologicamente e até fisicamente. No decorrer da semana diverti-me, ri, cantei, chorei de tristeza, chorei de emoção, fiquei cansado e desanimado. Mas também, foi nesses momentos que ganhei a coragem e o ânimo para seguir em frente, ou seja numa semana aconteceu de tudo. Mas o que levo mesmo desta jornada foi a partilha de culturas, de comunhão, de alegria e  de felicidade. Quando encontrávamos grupos de jovens dos outros países como americanos, espanhóis, italianos e franceses era a verdadeira festa da juventude. Nesses momentos cantávamos músicas portuguesas, e eles músicas dos respetivos países, trocávamos brindes, fotos e contactos. Alguns jovens ficaram amigos para a vida, e isto, foi muito engraçado, porque a língua apesar de uma pequena barreira não impediu a linguagem universal que é o amor e a comunhão.

Também tive momentos que me fizeram arrepiar e emocionar e destaco três. O primeiro quando vi o papa Francisco a passar e as suas palavras que trazem paz, tranquilidade e esperança num mundo melhor. O segundo na missa que iniciou a JMJ. Aí foi o choque! A Jornada tinha verdadeiramente começado, uma grande onda de jovens invadiu o parque Eduardo VII que ia até à rotunda do Marquês, as ruas que davam acesso  estavam todas entupidas. Lá vi  uma Igreja viva e jovem, milhares e milhares de jovens todos por um único objetivo, encontrar o Cristo vivo, e com a esperança e o sonho de um mundo diferente. O terceiro momento foi no parque Tejo com a bênção do Santíssimo e a interpretação da música “Estrela” pela Carminho.

Também há outros momentos que ficam marcados, como dormir numa autoestrada, os transportes públicos cheios, e para fazer as refeições a mesma coisa com filas de horas. Depois horas a andar, e a espera para entrar nos recintos para as celebrações.

Saio da Jornada cansado, mas com o espírito fresco e rejuvenescido, ou seja carregado a mil porcento e com a certeza de que estamos no caminho certo, de que fiz a escolha certa, e de que a igreja não está velha e ultrapassada, mas pelo contrário viva  e jovem. E isso foi claro na mensagem do Papa, mas principalmente na partilha com os outros jovens de quase todos os países do mundo. Outras mensagens importante que estão a fazer eco na minha cabeça foram as do Papa Francisco, que com a sua simplicidade, humildade e com uma sabedoria indescritível, mas acima de tudo com o seu espírito jovem. Disse aos jovens que são a “esperança e o grande motor da Igreja, mas também do mundo através dos seus sonhos”. Devemos “substituir os medos pelos sonhos, devemos sonhar e nunca desistir, não ter medo”. Mais, disse que a igreja precisa de todos, e é de todos pois ela deve ser como a capelinha das aparições em Fátima simples, pequena, humilde, mas acima de tudo aberta a todos. Pois “Deus ama-te tal como és, para ele não és um número mas uma cara e ele chama-te sempre”. Porque aos olhos de Deus somos todos iguais e neste seguimento ele diz que só “devemos olhar o outro de cima para baixo para ajudar a levantar”. E é nesta comunhão, nesta partilha que devemos todos entrar no mesmo barco e navegar a grande onda que é o amor.

Por último, nesta jornada certamente que o objetivo foi alcançado pois ao longo desta semana encontrei não só eu, mas também os outros jovens, o Cristo vivo que esteve presente e revelado em cada um de nós que estávamos lá com a esperança da paz, do amor, de uma Igreja melhor, mas acima de tudo de um planeta mais igual e justo.

Quero agradecer a todas as pessoas que proporcionaram esta Jornada. Ajudaram-me a crescer na fé e no amor de Deus.

João Melo (Joven de Ponte de Lima)

"Lá vi  uma Igreja viva e jovem"
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