A Situação Internacional dispara para 41,1% e volta a liderar, de forma destacada, as preocupações dos gestores portugueses no Barómetro FAE de janeiro de 2026. Em paralelo, o Índice de Otimismo cai para 1,33, o valor mais baixo de sempre, reforçando um clima económico de incerteza.
Situação internacional domina preocupações dos gestores e otimismo cai para mínimo histórico no Barómetro FAE (janeiro de 2026)
Os resultados do Barómetro FAE relativos a janeiro de 2026 revelam uma mudança expressiva na hierarquia das preocupações dos gestores portugueses, com um destaque claro e dominante para a Situação Internacional, que se afasta de forma significativa de todas as restantes dimensões avaliadas.
Esta categoria consolida-se, de longe, como a principal inquietação do tecido empresarial, registando um salto de 29,3% para 41,1% — o valor mais elevado entre todas as áreas e um regresso aos níveis observados em janeiro de 2025. O indicador confirma a crescente centralidade dos fatores externos na gestão e no planeamento das empresas, num contexto marcado por instabilidade geopolítica, risco de novos focos de conflito, volatilidade dos mercados globais e persistentes incertezas macroeconómicas.
A segunda maior preocupação dos gestores volta a ser Governo e Política, depois de um recuo em dezembro. Em janeiro, esta dimensão recupera de forma significativa, subindo de 13,0% para 26,8%, o que sugere uma renovada atenção às decisões políticas e ao enquadramento governativo, com impacto direto na atividade económica e na previsibilidade do ambiente de negócios.
Já a Contratação e Retenção de Talentos, apesar de continuar entre os temas mais relevantes, apresenta uma descida acentuada de 17,4% para 10,7%. A evolução indica que, embora menos prioritária neste mês, se mantém uma preocupação estrutural com a capacidade de reter talento — em particular o talento jovem — e com as tensões persistentes no mercado de trabalho em Portugal.
Outras áreas mantêm-se no grupo das cinco principais preocupações, ainda que com menor expressão. Impostos e Tributação e Digitalização e Disrupção Tecnológica registam uma ligeira diminuição, passando de 8,7% e 7,6% para 5,4%, respetivamente. Apesar do recuo, continuam a surgir como fatores relevantes para a competitividade e para as decisões estratégicas das empresas.
Em sentido inverso, Legislação e Regulação e Concorrência e Modelo de Negócio sofrem quebras muito acentuadas, passando de 12% e 7,6% para 1,8%, respetivamente, integrando agora o grupo de preocupações menos expressivas. Também entre as dimensões de menor peso surgem a Taxa de Inflação, as Taxas de Juro, a Corrupção e as Cadeias Logísticas e Abastecimento, todas com 1,8%, sinalizando uma perceção de risco reduzido no curto prazo nestes domínios.
O retrato global do mês é reforçado pelo Índice de Otimismo, que após uma subida significativa em dezembro recua de forma abrupta para o valor mais baixo de sempre. O indicador desce de 2,43 para 1,33, permanecendo em terreno negativo desde 2022 e refletindo um clima económico persistentemente marcado pela incerteza. No conjunto, o barómetro de janeiro aponta para um contexto em que a gestão empresarial se torna cada vez mais condicionada por fatores externos — e em que a confiança no curto prazo continua sob pressão.
