viernes. 01.03.2024

O ministro da Educação, João Costa, apelou à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que analise de forma aprofundada as causas que levaram a que os jovens alunos apresentem uma quebra "sem precedentes" no desempenho em Matemática e Leitura.

Os resultados do maior estudo internacional feito aos conhecimentos dos alunos, PISA (Programme for International Student Assessment) – realizado em 2022 por mais de 690 mil estudantes de todo o mundo – revelam um agravamento das dificuldades que os jovens de 15 anos sentem para realizar tarefas básicas a Matemática e Leitura.

Portugal acompanha esta tendência: os quase sete mil estudantes de escolas portuguesas que realizaram, em 2022, a prova de Matemática do PISA tiveram menos 20 pontos do que os colegas que a tinham realizado em 2018.

"Quando temos quebras nos resultados devemos ficar preocupados e devemos analisar com profundidade os resultados", disse o ministro da Educação, João Costa, sublinhando que a "quebra de resultados acontece em países com políticas curriculares bastante diferenciadas".

O relatório hoje divulgado reconhece que ainda não é possível identificar as razões para esta tendência mundial, não estando identificado um fator preciso ou uma determinada política educativa.

"Temos países muito diferentes, na forma como se ensina, nos currículos que desenvolvem, com esta tendência semelhante" de quebra de resultados, disse João Costa. "Há uma descida que tem a ver com a pandemia, mas a pandemia não explica tudo, porque há uma queda na média da OCDE, desde 2012, que não foi ainda suficientemente explicada", disse.

Principais tendências

  • em 2022 a média a matemática dos países da OCDE decresceu cerca de 15 pontos face ao ciclo anterior;
  • os resultados nacionais colocam Portugal na média da OCDE em todas as áreas de avaliação, pelo que o nosso país acompanha, sem diferenças estatisticamente significativas, a trajetória descendente da OCDE;
  • no caso da Matemática, Portugal regista um decréscimo de 21 pontos em 2022 face a 2018, e de 16 pontos relativamente a 2012, último ano em que este foi o domínio principal de análise;
  • observa-se ainda que 70,3% dos alunos portugueses alcançaram pelo menos o nível 2 a matemática, um valor superior ao registado na OCDE (68,9%);
  • a diferença de resultados entre raparigas e rapazes tem-se mantido relativamente constante em Portugal, com os rapazes a pontuar em média mais 10 pontos que as raparigas;
  • em Portugal, a diferença de desempenho a Matemática entre alunos de escolas públicas e privadas não é estatisticamente significativa;
  • os alunos imigrantes, que passaram de cerca de 7% para 11% entre 2018 e 2022, obtêm resultados inferiores aos registados pelos alunos portugueses, sobretudo quando se trata de alunos de primeira geração de migrantes;
  • os alunos portugueses reportaram um maior sentido de pertença à escola do que a média dos alunos da OCDE;
  • em Portugal, os alunos consideram receber mais apoio familiar do que a média dos países da OCDE;
  • os diretores das escolas portuguesas reportaram que as escolas estão mais bem preparadas para o ensino a distância pós-pandemia, contrariamente à média dos países da OCDE.

Ministro da Educação sugere à OCDE estudo sobre quebra de desempenho dos alunos
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